sábado, 19 de março de 2011

Limbo





Uma tragédia remanesceu 
E me empurrou para o abismo
e afastei do mundo, mesmo sendo mastigada por ele
Teci uma colcha de retalho da vida, com a o rosto de todos os meus REAIS
Mortais e inválidos... desconfigurados
Me senti sufocada pelo meu nada
pelo descontrole que assolava feito uma fagulha de fogo saído, sem rumo da lenha
A lepra desconhecida deteriorava cada célula do meu aparelho psíquico
Descontínua-mente, amantes e amados canceres me encarceravam 
Me traziam de volta
à morte! A pulsão! 
Um ufa!
Me atirei pelo abismo e não foram asas que ganhei...mas senti a sensação de liberdade bater em meu rosto
Me afastei do mundo e me aproximei de mim
e caí... esmaga pelo meu próprio corpo
pelo meu medo...
A dor me castiga...
Mas levantei... e caminharei até a próxima ribanceira!
Satisfeita por existir!














O que será de nós?
O que virá depois?




domingo, 20 de fevereiro de 2011

"Há" um tempo...atrás




Porque temos que banalizar os sentimentos em prol da razão?
Deprimir o que somos para sermos o que desejam que somos?
A solidão corre os meus ossos e perfura as minhas vísceras.
E me vejo desarmada e desarmada no mundo.
Uma película tênue envolve a felicidade, e ela constantemente se rompe, e a felicidade escoa facilmente, e se dissipa, e sem nos darmos conta, ela se perde.
Sobra o rude, o grosseiro.
O esvaziamento de nossa própria essência.
E emerge como um feroz monstro voraz, a angústia impiedosa e cruel.
Me perco cogitando a respeito do fim, do propósito de estar viva,
E só me sobra de consolo, o que se prega eticamente a respeito da conduta.
Sermos únicos, mas não diferentes.
Sermos gentil, sem desconsiderarmos a agressividade inerente.
Sermos firmes sem sermos injustos.
Assim resta-nos transitarmos entre os paradoxos e nos ocuparmos com os questionamentos sem respostas, e assim o tempo segue seu curso, e o fim delicadamente nos envolve, e gentilmente nos domina.


 Shirley Souza.......................................................................................................28/06/10





“eu não sei o que meu corpo abriga, nestas noites quentes de verão e nem me importa que mil raios partam qualquer sentido vago de razão”

Cazuza



Meu fantasma



Ainda sinto o seu doce cheiro em minhas mãos
Em seus braços me encontro,
Sinto-me no infinito quando descanso minha cabeça no seu colo
E devaneio sobre o impossível de nós
Meu sentimento
Dotado de sabores
Dotados de temores
Que se parte, se distancia
mas...
incita em mim a vontade de ter
a vontade de manter a distância longe de mim
E querer sentir sua falta
Sua imagem cai sobre meus olhos...e me silencio
Por estar diante do sublime
Seu sorriso me aquece
e você nem nota
Seu suor me acalma...
E você, nem nota
Eu desejo!
E você nem nota
Sinto o peso de meus medos, quando te afastei de mim
E me desamparo na sua ausência


"Que o sentimento supere a razão!"
Shirley Souza
20/02/11

sábado, 29 de janeiro de 2011

Estamira






Reis e rainhas coabitam o universo das fábulas,
Fazendo-nos acreditar que somos apenas poeiras sobre o vislumbre.
Que o resto de alimento dos ratos, que alimenta os pobres
São os únicos recursos de sobrevivência de uma democracia hipócrita
De uma demagogia fétida

As migalhas oriundas dos destroços do lixo
Determinam “ESTA MIRA” Estamira
Mulher milagre, que caminha sobre o imundo e saboreia seus delírios para dar conta do “I mundo”
Para o mundo seus lábios dizem loucuras
E ela segue rumo a sua “mira”
E delicia o sabor do lixo em um prato de macarrão,
Abandonado pela donzela saciada

Giram discos voadores no seu olhar
E a piedade que vêm dos homens
Não adiciona valores
Sua obra e seu cansaço lhe bastam, para manter a sua história,
Sua própria realeza
 


Saiba mais sobre essa mulher
http://cinema.uol.com.br/ultnot/2006/07/27/ult26u22040.jhtm

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Nunca desejei um cigarro, desde que eu parei de fumar, como hoje
Em meio á solidão que me assola, só consigo pensar em uma única coisa
E isso me apavora, pois me deixa pequena, me transforma em uma nada!

Me desestabiliza, pois tudo o que moldei a priori, se desmantelou
tudo não passou de uma boa maquiagem
Quase acreditei na minha própria imagem refletida ali, no meu espelho
Me senti hoje, como naquele dia das mães, onde nem mãe eu tinha!
Saboreei a minha própria e amarga determinação

E sei que nem o olhar curioso, recai sobre os meus destroços!
Esse é um convite a arte do fracasso, frente a laborosa imperfeição que nos acomete!
 Ainda tenho a última gota da cerveja!

Shirley R............................................................................20 (?) jan 2011

"E tudo parece ser tão real, mas vc viu essse filme também!"
Renato russo

msn.com!

Ronan diz:
 será que ja foi???
 vou cantar uma canção...
 hummmm....
 "não sei andar sozinho, por estas ruas, sei do perigo, que nos rodeia, pelo caminho...
 não há sinal de cais, mas tudo se acalma... no seu olhar.
 nao quero ter mais sangue morto nas veias, quero um abrigo, do teu abraço que me incedeia...
 não ha sinal de caos mas tudo se acalma... no seu olhar.
 vc parece comigo nem o senhor lhe acompanha, vc tb se da um beijo da abrigo...
 flor na janela da casa, olho no seu inimigo, vc tb se da um beijo da abrigo...
 se da um riso da um tiro!
 boa noite guria!!!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O poeta não morreu, foi ao inferno e voltou!

Querido Diário (Tópicos para uma semana utópica)
Composição: Cazuza

Segunda-feira:
Criar a partir do feio
Enfeitar o feio
Até o feio seduzir o belo

Terça-feira:
Evitar mentiras meigas
Enfrentar taras obscuras
Amar de pau duro

Quarta-feira:
Magia acima de tudo
Drogas barbitúricos
I Ching
Seitas macabras
O irracional como aceitação do universo

Quinta-feira:
Olhar o mundo
Com a coragem do cego
Ler da tua boca as palavras
Com a atenção do surdo
Falar com os olhos e as mãos
Como fazem os mudos

Sexta-feira:
Assunto de família:
Melhor fazer as malas
E procurar uma nova
(Só as mães são felizes)

Sábado:
Não adianta desperdiçar sofrimento
Por quem não merece
É como escrever poemas no papel higiênico
E limpar o cu
Com os sentimentos mais nobres

Domingo:
Não pisar em falso
Nem nos formigueiros de domingo
Amar ensina a não ser só
Só fogos de São João no céu sem lua
Mas reparar e não pisar em falso
Nem nas moitas do metrô nos muros
E esquinas sacanas comendo a rua
Porque amar ensina a ser só
Lamente longe por favor
Chore sem fazer barulho

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Enxaqueca

 
Nem com o mais forte entorpecente, ou o mais potente calmante
Nem o brilho vazio de uma solitária estrela, árdua e impotente
Aproxima-me do que a vida se propõe
Sinto no olhar da derrota a proximidade do caos

Egos solitários buscam proteção fora do altruísmo
Longe dos abraços apertados dos lobos
Como monges discretos se multiplicam feito sombras na tirania da noite

Forçados pela fome lamentam pela miséria de esperança
Cuidam-se para se sentirem vivos
Feito pedras passam insólitos pelo mundo

Rodeados por vermes, e moribundos sociais
Resta o limite, entre o penar e o fim
A dor assola o corpo e a alma
Feito chagas eternas, e ternas
Que se solidificam e se apropriam do que de fato...nos tornamos









Shirley R............................................................................14/01/11





quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

pés descalços



Um anjo descalço passou por aqui, e sentiu o prazer de ser simples
E combinou a vista esplendorosa do universo, que era emita pelo reflexo de seus olhos
Com o ardor do por do sol no verão
E se atentou pela madrugada insana e saboreou a desvirtude de ser dama a meia noite
De ser palhaço sem sorrisos e ator sem aplauso

Ele contou com a limitada caridade humana... Que nada tinha a oferecer neste momento
Sorriu ao ver a ratazana correndo pelo encanamento desativado de uma fábrica
Suplicou o olhar do poeta, que se embebedava no boteco sujo.
E pousou seu olhar cansado ao desenho de um artista que, por inspiração, observava a velha doente na janela da esquerda do seu quarto cheirando mofo.


Suspirou ao perceber o ódio do filho abusado
Ausentou-se ao pedido de súplica da mãe desajustada, ao ver o filho marginalizado pela carência de afeto.

Mas...
Em dado momento, reconheceu na centelha de fé de cada um deles, a manifestação daquele universo, que reconhecera, antes da madrugada.
E fez florescer a flor do lixo que se tornara

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

PROFANO




Como um livro de possibilidades crio o universo dos meu próprios saberes
reviro cada sílaba de minhas sentenças...
sentença de morte em vida!
papel rasgando minhas mãos
ruídos rompendo muros, girando moinhos
flores enfeitando cortiços,
sem vida, plastificadas e delas extraídas a beleza inadequada de estar ali...estática,
débil, inodora...
Suspiros falsos...
Desejos descalsos
Calçadas em ruínas...abaixo de pés empoeirados e envergonhados de não conseguir o célebre...pão de cada dia
Rotinas deslumbram o ensaio de ser assim...tão nobre, tão autênticos...tão maciços!
Temos o poder de manter o Poder sobre o nosso poder!
De sermo iguais...em nossas diferenças
Mas o que estamos tentando ao expulsar de nosso olhar..o sublime?
A magia está mas mãos das fadas?
Ou perderíamos muito tempo elaborando devaneios sobre o desconhecido?

Ainda prefiro o insano, o improvável, o inexplicável,  o PROFANO!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O Q?

o solo parece um pântano...me sugando pelo desejo perdido com as realizações...as desilusões.
sinto-me presa pelo pescoço, atolada de decepções, de angústia.
O olhar piedoso, é o que menos desejo.
 E prazer nenhum se sustenta.

A alegria desce pelas minhas entranhas como uma dose de destilado, seco, avassalador. A mais barata caninha, o mais tímido sabor. o inconsistência, de ter de olhar de longe,
como em um campode força...todas as pulsões, se misturando, se associando e desagregando...
e eu...ali, estática,
engessada como uma boneca falsa, como uma roupa desbotada, obsoleta

As Brumas....densas, se misturam ao peso do meu coração
Já não confio em sanidades...prefiro a loucura
estou às margens...Esperando a morte chegar!
Quem é a minha morte? Quem é a minha amiga?

domingo, 21 de novembro de 2010

amanhã

Lembrando do ontem..imagino o amanhã!




Sobre o amanhã....incertezas
dúvidas que nos aprisionam em cárceres fantásticos de ilusões
Não se sabe que som habitará nossos ouvidos,
que atividade de labor nos reserva o mundo
O que irei aprender?
O amanhã nos reserva o fim, e talvez a soberania
Nos reserva o que não foi reservado.
Meus ideais e minhas músicas...se tornarão obsoletas...arcáicas.
" E o meu futuro...é duvidoso"
Me escraviso no hoje, em prol do futuro, que nem sei se virá!




quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Eu to na tv! rsrrsrsr

vai viver sua vida...pena de liberdade perpétua, estamos sempre presos do lado de fora de um abraço

quarta-feira, 17 de novembro de 2010






As vezes confundo saudade com infinito
E acabo por me confiscar a felicidade, e entra em cena a ansiedade
Perturba-me a ausência
Os cheiros e os sons, que se fundem nas lembranças daquilo que, de forma excêntrica,
apresenta-se como  um delírio saboroso, que não aparece como um infortúnio, e sim como uma pequena degustação do quão sublime os símbolos que ali são representados
Rostos, momentos, virtudes e até sofrimentos.
A solidão é sempre amparada pelo o que se foi com a areia da ampulheta
E essa se esconde entre os dedos para que se mantenha vivo os momentos, os conflitos, os afetos...
Entre o labirinto das idéias renasce a cada instante uma oportunidade de registrarmos o nosso brasão individual, de darmos o sentido e o valor necessário, para cada fragmento de existência!
Imagino-me militando sempre a favor de proteger cada fruto daquilo que me representa... E às vezes algo se perde... Algo se rebela contra os meus próprios anseios.
E me sinto impotente! A condição humana me apavora!

Insônia


Insônia, insólita...
Permaneço perplexa em questionar as magnitudes da vida!
Sinto o fracasso de tentar descalçar minhas pálpebras... que teimam em deslizar delicadamente,
 me fazendo sentir, tão embasbacada, como que se estivesse dopada, porém, se mantém abertas, seguindo o seu próprio ritmo, autônoma e insistente em me garantir...uma noite acordada!
Transitam pensamentos oriundos há anos, que se conectam as vivências atuais, tornando minha compreensão egóica, cada vez mais paradoxal.
Escuto o som do amanhecer, com seus carros direcionados ao trabalho, com suas aves saboreando o nascer do sol.
Escuto AM informando as novas notícias arcaicas, empoeiradas pela condição humana, intrínseca, mortífera... do outro lado da horta!
Percebo realidades que outrora nem existiam, pela correria da contemporaneidade, pelas responsabilidades de ser gente!
Fantasio o passado e reinventando histórias... Pratico o futuro, conduzindo fantasias... Procuro no google coisas que nunca quis saber. Ouço poesias para descarregar o meu prazer.
E ainda sim... Irrita-me não estar ali, deitada, construindo realidades desconexas, realizando desejos obscuros, idealizando condições de que nunca me lembrarei, bailando ente mitos e tabus, sonhando.




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