domingo, 25 de setembro de 2011

Sublinhando

Reinvento a cada segundo as súplicas que me mantém distante da realidade. 
Sinto calafrios que me aprisionam na cama.
 Condiciono-me nas amarras deste calabouço.
 Quero soprar a flor de lótus e sentir seu cheiro embainhar todo o campo que persegue a minha visão. 
Quero encantar as aves com o meu olhar nublado. 
Viveria bailando entre peixes e tufões.
 Entre graças e desgraças. 
As pulsões oscilariam em um equilíbrio desconcertante, e a agressividade avassaladora.
 Meus músculos se contraem, e o colchão estremece diante das nuances maléficas do mal estar que me acomete.
 Atenciosamente me divirto com o objeto pequeno ‘a’ desejado feito feto.  

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sublime



Sinto meu corpo sendo arrastado pelos anos
E a correnteza dos acontecimentos, me fazem flutuar pelos caminhos
Rodeada de temores e incertezas
Vejo no novelo de lã, a esperança de que os dias frios se desencadeiam.
De que a garoa se estabilize e faça presente nos nossos contos!
Vislumbrar as desvairadas damas soteropolitanas
E me alimentar dos cheiros doces que exalam de seu corpo esguio!
Finalmente recuperar a essência de me sentir viva e de ainda sentir fascínio pelo novo!

Shirley Souza!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ônibus


Uma produção em meio ao caos. Sombras malditas, hálitos quentes.
Imundos pelo trabalho árduo.
Putrefação dos corpos ainda vivos, pelo cansaço do dia.
Os cheiros se misturam tornando insuportável a convivência.
A chuva lá fora nos castiga aqui dentro.
Uma centelha do inferno.
Os germes constroem muralhas, nos aprisionando, nos limitando.
Pobres mortais pobres!
Uma hora e vinte de agonia, e ainda estamos no meio do caminho e nem existe um pote de ouro no fim...
Somente pedras e cascalhos.
Invejo aquele que o comanda. Ele detém o poder, as regas do jogo. A nós... Resta-nos o ÔNIBUS. O caos, o martírio.
E pra que?
Somos mártires dos nossos sonhos... Ou seria da nossa necessidade?
E o limite de nós, nos diz que somos quem podemos ser... NADA, ou tão pouco que não comove ninguém.
Somos moribundos sociais. LI-MI-TA-DOS!
Fedidos e covardes. Odeio esse som, odeio o vermelho da sua derme. Odeio o balançar desengonçado. E odeio gente, muita gente.
Quero respirar o ar que é meu, somente meu. Ainda bem que sentei!





Shirley R.
22/01/2009

quinta-feira, 30 de junho de 2011

saudade



Hoje eu senti vontade de bailar entre as borboletas do serrado, e sentir o vento tocar meu sorriso.
De saborear um belo doce e viver o som de cada dedilhada nas notas de uma guitarra, com os olhos apertados em estado de êxtase.
Senti vontade de lavar todos os azulejos do meu banheiro
De sentir o sorriso da minha vó, no momento do abraço apertado.
De pirraçar diante das injustiças...
de correr de olhos fechados na minha rua as 23 horas..
De cantar em Inglês o que eu não faço idéia.
De sentir o peso da minha coberta bem no meio da tarde...ao som da vinheta do jornal hoje, e de assoprar a barrigona da minha mãe...e extrair dali...um som tão peculiar, que me levaria a gargalhadas eufóricas.
Vontade de admitir que chupar o dedo é melhor que Rivotril.  
E que o melhor analgésico, é deitar no braço peludo do meu pai.
Queria comer a ameixa que meu avô me presenteava, e que eu, generosamente apelidei de bolinha, pois banana a gente lembra o nome.
Queria vestir um vestido florido e não me sentir ridícula...
E colocar meus pés suados sobre o vidro do carro e ver a marquinha de cada dedo. 
Shirley Souza

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Iraci

Um passo de cada vez,
Eu sinto uma dor que é atenuada pelos teus (Flá) olhos
Eu vejo uma estrada de oásis no deserto
Na tentativa de lutar para seus ideais e de energicamente mudar o mundo (o seu mundo) e salvá-los das mazelas... Das suas próprias mazelas.
Sua vida foi como um sopro divino,
Se fez breve sobre nosso olhar egoísta, mas sublime no propósito de Deus.

Nos relatos dos amigos, no amor dos amantes, e no coração de suas filhas... Aprendi sobre ela, tão soberana, e sensível
Na valsa da existência, desajeitada esteve bailando
Até que os anjos de Deus lhe tiraram para dançar.

Sua firmeza como de uma leoa
Sua sabedoria desletrada
Sua compaixão desmedida
Farão de seus passos na terra... Uma estrada para ser seguida e aprendida por nós, relés mortais... Desassossegados pela banalidade superficial da falta de esperança. 

 
Shirley Souza 23/06/11

terça-feira, 14 de junho de 2011

Viajante (Aurélio)


SEU EU PUDESSE VER O HÁ DO OUTRO LADO, E SENTIR ENTÃO O DESCANÇO EM MEUS OLHOS...
SE EU NAO FOR CHORAR, PORQUE ESPERAR?...E SE NINGUEM VEM EU VOU PRA LÁ!
PASSA O TREM EM OUTRA ESTAÇÃO, VOU TER QUE ESPERAR SOZINHO.
TEM SEMPRE ALGUÉM PEDINDO ORAÇÃO...SINTO OS MEUS SONHOS VOAREM POR MINHAS MAOS!
SE EU PUDESSE TER O QUE TEM DO OUTRO LADO, E ASSIM VIVER JUNTANDO PEDAÇOS...
SEMPRE HÁ UM PORQUE PRA SE DIZER...PERGUNTAR AO DIA QUE VIRÁ!
PENSAR EM ALGUÉM FAZER A CANÇÃO, SENTIR A DOR DO ESPINHO.
SEGUIR O VENTO E ARDER AO SOL, PERDER NO TEMPO POIS É CEDO PRA PODER CHEGAR...



ME DÁ SAUDADE DO MEU LUGAR...UM DIA VOU TER QUE VOLTAR...

Leonardo César Ferreira - 02/12/2000

domingo, 8 de maio de 2011

Me confundo em tantas funções
Ser filha, mãe e neta
Conduzir a insensatez sobre ruínas
Flores fosforescentes no caminho da loucura
Mendigos e traquinas se isolam no seu próprio grupo
Tribos fiéis e ligações impenetráveis
Chuvas e sóis lamentam por tão curto momento de apresentação
Palhaços e deuses bailam na arena
Cafetinas choram sua insolência
Bandidos respiram a liberdade de assistir tv

sábado, 19 de março de 2011

Limbo





Uma tragédia remanesceu 
E me empurrou para o abismo
e afastei do mundo, mesmo sendo mastigada por ele
Teci uma colcha de retalho da vida, com a o rosto de todos os meus REAIS
Mortais e inválidos... desconfigurados
Me senti sufocada pelo meu nada
pelo descontrole que assolava feito uma fagulha de fogo saído, sem rumo da lenha
A lepra desconhecida deteriorava cada célula do meu aparelho psíquico
Descontínua-mente, amantes e amados canceres me encarceravam 
Me traziam de volta
à morte! A pulsão! 
Um ufa!
Me atirei pelo abismo e não foram asas que ganhei...mas senti a sensação de liberdade bater em meu rosto
Me afastei do mundo e me aproximei de mim
e caí... esmaga pelo meu próprio corpo
pelo meu medo...
A dor me castiga...
Mas levantei... e caminharei até a próxima ribanceira!
Satisfeita por existir!














O que será de nós?
O que virá depois?




domingo, 20 de fevereiro de 2011

"Há" um tempo...atrás




Porque temos que banalizar os sentimentos em prol da razão?
Deprimir o que somos para sermos o que desejam que somos?
A solidão corre os meus ossos e perfura as minhas vísceras.
E me vejo desarmada e desarmada no mundo.
Uma película tênue envolve a felicidade, e ela constantemente se rompe, e a felicidade escoa facilmente, e se dissipa, e sem nos darmos conta, ela se perde.
Sobra o rude, o grosseiro.
O esvaziamento de nossa própria essência.
E emerge como um feroz monstro voraz, a angústia impiedosa e cruel.
Me perco cogitando a respeito do fim, do propósito de estar viva,
E só me sobra de consolo, o que se prega eticamente a respeito da conduta.
Sermos únicos, mas não diferentes.
Sermos gentil, sem desconsiderarmos a agressividade inerente.
Sermos firmes sem sermos injustos.
Assim resta-nos transitarmos entre os paradoxos e nos ocuparmos com os questionamentos sem respostas, e assim o tempo segue seu curso, e o fim delicadamente nos envolve, e gentilmente nos domina.


 Shirley Souza.......................................................................................................28/06/10





“eu não sei o que meu corpo abriga, nestas noites quentes de verão e nem me importa que mil raios partam qualquer sentido vago de razão”

Cazuza



Meu fantasma



Ainda sinto o seu doce cheiro em minhas mãos
Em seus braços me encontro,
Sinto-me no infinito quando descanso minha cabeça no seu colo
E devaneio sobre o impossível de nós
Meu sentimento
Dotado de sabores
Dotados de temores
Que se parte, se distancia
mas...
incita em mim a vontade de ter
a vontade de manter a distância longe de mim
E querer sentir sua falta
Sua imagem cai sobre meus olhos...e me silencio
Por estar diante do sublime
Seu sorriso me aquece
e você nem nota
Seu suor me acalma...
E você, nem nota
Eu desejo!
E você nem nota
Sinto o peso de meus medos, quando te afastei de mim
E me desamparo na sua ausência


"Que o sentimento supere a razão!"
Shirley Souza
20/02/11

sábado, 29 de janeiro de 2011

Estamira






Reis e rainhas coabitam o universo das fábulas,
Fazendo-nos acreditar que somos apenas poeiras sobre o vislumbre.
Que o resto de alimento dos ratos, que alimenta os pobres
São os únicos recursos de sobrevivência de uma democracia hipócrita
De uma demagogia fétida

As migalhas oriundas dos destroços do lixo
Determinam “ESTA MIRA” Estamira
Mulher milagre, que caminha sobre o imundo e saboreia seus delírios para dar conta do “I mundo”
Para o mundo seus lábios dizem loucuras
E ela segue rumo a sua “mira”
E delicia o sabor do lixo em um prato de macarrão,
Abandonado pela donzela saciada

Giram discos voadores no seu olhar
E a piedade que vêm dos homens
Não adiciona valores
Sua obra e seu cansaço lhe bastam, para manter a sua história,
Sua própria realeza
 


Saiba mais sobre essa mulher
http://cinema.uol.com.br/ultnot/2006/07/27/ult26u22040.jhtm

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Nunca desejei um cigarro, desde que eu parei de fumar, como hoje
Em meio á solidão que me assola, só consigo pensar em uma única coisa
E isso me apavora, pois me deixa pequena, me transforma em uma nada!

Me desestabiliza, pois tudo o que moldei a priori, se desmantelou
tudo não passou de uma boa maquiagem
Quase acreditei na minha própria imagem refletida ali, no meu espelho
Me senti hoje, como naquele dia das mães, onde nem mãe eu tinha!
Saboreei a minha própria e amarga determinação

E sei que nem o olhar curioso, recai sobre os meus destroços!
Esse é um convite a arte do fracasso, frente a laborosa imperfeição que nos acomete!
 Ainda tenho a última gota da cerveja!

Shirley R............................................................................20 (?) jan 2011

"E tudo parece ser tão real, mas vc viu essse filme também!"
Renato russo

msn.com!

Ronan diz:
 será que ja foi???
 vou cantar uma canção...
 hummmm....
 "não sei andar sozinho, por estas ruas, sei do perigo, que nos rodeia, pelo caminho...
 não há sinal de cais, mas tudo se acalma... no seu olhar.
 nao quero ter mais sangue morto nas veias, quero um abrigo, do teu abraço que me incedeia...
 não ha sinal de caos mas tudo se acalma... no seu olhar.
 vc parece comigo nem o senhor lhe acompanha, vc tb se da um beijo da abrigo...
 flor na janela da casa, olho no seu inimigo, vc tb se da um beijo da abrigo...
 se da um riso da um tiro!
 boa noite guria!!!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O poeta não morreu, foi ao inferno e voltou!

Querido Diário (Tópicos para uma semana utópica)
Composição: Cazuza

Segunda-feira:
Criar a partir do feio
Enfeitar o feio
Até o feio seduzir o belo

Terça-feira:
Evitar mentiras meigas
Enfrentar taras obscuras
Amar de pau duro

Quarta-feira:
Magia acima de tudo
Drogas barbitúricos
I Ching
Seitas macabras
O irracional como aceitação do universo

Quinta-feira:
Olhar o mundo
Com a coragem do cego
Ler da tua boca as palavras
Com a atenção do surdo
Falar com os olhos e as mãos
Como fazem os mudos

Sexta-feira:
Assunto de família:
Melhor fazer as malas
E procurar uma nova
(Só as mães são felizes)

Sábado:
Não adianta desperdiçar sofrimento
Por quem não merece
É como escrever poemas no papel higiênico
E limpar o cu
Com os sentimentos mais nobres

Domingo:
Não pisar em falso
Nem nos formigueiros de domingo
Amar ensina a não ser só
Só fogos de São João no céu sem lua
Mas reparar e não pisar em falso
Nem nas moitas do metrô nos muros
E esquinas sacanas comendo a rua
Porque amar ensina a ser só
Lamente longe por favor
Chore sem fazer barulho

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