terça-feira, 3 de abril de 2012

Pertencer

Em resposta: Pertencer
Em actus
Em espetáculos
Em função do Outro
Em existência
Em atirar ao infinito de seus olhos
Em não reconhecer o seu ser
Profundezas alcançam a alma
E o amor sente profunda dor
Comunitário são os pensamentos profanos
Que emanam por entre poros poluídos de uma multidão desorientada
São desejos e saudades que prevalecem sobre os sorrisos dos descrentes
É o seu amor que não se reconhece
É a plasticidade natural que o tempo oferece aos nossos dias
É a fantasmática operação realizada pelo conteúdo recalcado
É o engano, o fadado ao fim
É o inalcançável
É o não pertencer!

Shirley R

sábado, 31 de março de 2012

A valsa


Antes de a primeira gota tocar o chão, já se exala pelo ar o cheiro da tempestade que se ajeita para atrapalhar os cabelos da mulher cansada que não corre e não teme a sua emancipação. Expande sobre o céu uma cor cinza e densa. O vento carrega consigo um ar gélido e implacável. Como navalhas sem corte enfrentam a pele desta insípida mulher que sente seu corpo castigado pelo curto tempo que lhe assolou, mas que impeliu sua existência em fracasso e dor. Ainda sim, esta não intimida com a tempestade que lhe afronta. Caminha furando as paredes do vento, e senta na beira da estrada vazia. Respira fundo e desliga de todo o ideal que lhe assola a cada instante e vagarosamente se inclina para o céu, e contempla a imensidão que a ameaça. A primeira gota toca a maçã de seu rosto. Pesada e fria cai feito um tapa raivoso. A vida parece ainda mais pavorosa. Os raios partem o céu a procura de um lugar para se fazer existir. O som monstruoso do trovão parece luta entre deuses Gregos. E lá está ela a contemplar a batalha, sentada no meio da arena dos gladiadores. Rapidamente a tempestade a domina e toma o seu corpo para si. E essa se transporta a um palco e se aprimora na dança de contemplação da natureza, essa mesma que a envelheceu, adoeceu, roubou-lhe a vitalidade e a beleza. E de repente a jovem de 80, caminhou nas suas lembranças e viu o passar do tempo como em uma ferrovia velha e quase que inativa, a não ser por suas lembranças turvas, cheirando a mofo.  Enquanto sua roupa encharcava e seus sapatos eram levados pela enxurrada, sentia que a liberdade fora uma farsa forjada por idealistas bêbados que morreram antes dos trinta. Mas  o desespero não pertencia aquele momento. Seu desejo era de não ter desejado, era de ter se mantido alheia a tudo que corroborou para que as exigências lhe fossem determinantes fervorosos de sua insignificante existência. Seu corpo doía por não ter mais a jovialidade de seus herdeiros, mas esse foi o momento em que de fato, viveu. Homenageando a morte e blasfemando a vida, em uma valsa sublime que contava com a natureza como par, que blefava com a hipocrisia dos que se concentravam em esquentar os pés em uma colcha velha de retalho. Assombrados pelos sons e movimentos da tempestade. 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Finalmente o fim


Contemplando o céu na tarde quente
percebi que o fim da tarde deveria ser semelhante ao fim dos nossos dias
Suave, e pleno
Felicitaríamos os nossos amores,
bem como os pássaros fazem ao correrem para seu lar, afim de admirar o por-do-sol.
Olharia para as profundezas dos olhos do passado e evidenciaria a dádiva de ter encontrado pessoas feito anjos,
Lugares feito o paraíso
Sonhos feito nuvens densas cheias do frescor gotejante da chuva.
Cheiros que me retiraram do real.
Cores que nunca foram nomeadas...
Sentimentos jamais interpretados
Amores desarranjados
Sonos que me transportava para o infinito
E no momento do último suspiro, queria deixar a saudade para os que ficam e o conforto de termos a atitude mais sublime que poderíamos... A certeza de que a vida foi vivida, e não adiada.
Somos frágeis as mazelas do mundo, mas podemos adotar a postura de significar positivamente cada queda, cada valor desfeito, cada perda, cada pedra!
Não devo passar meus últimos dias plantada feito uma flor de jardim na cama me lamentando do que não fiz, e sim passar o tempo que me sobra, vivendo!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Meus Olhos

Ainda que a magia não resista à corrupção dos corpos sedentos de carnificina.
E mesmo que os sons não se deixem perceber entre tanta covardia
Meus olhos cairão no horizonte e enxergarão a poeira escorregando sobre a luz dos raios de sol
E perceberei o vento tocando as pétalas de uma flor solitária em meio ao campo de grama cinza
Sinto a resistência da existência e acredito no balé da esperança
Não é o sorriso de uma criança que me apresenta isso, e sim, a memória da minha própria infância, que não se perdeu no agitado passar dos anos
Ainda garimpo minha essência no lago de destruição
Na terra ressecada pela estiagem de sensações incorruptíveis
Consigo ouvir de longe o que pode me resgatar
O som do infinito que me liberta do trivial e me faz existir
Essencialmente trago a mim o que de fato permite que eu acorde e saiba o que está invertido no meu espelho
Deixo lá fora o asqueroso
E aprecio o que não é tão feio assim, olhando no fundo dos olhos, dos meus olhos!


30 de dezembro de 2011

sábado, 26 de novembro de 2011

Thata

A cor dos seus olhos contemplam a magnitude do oceano
Seus sorrisos são intensos como as águas derramadas no seu choro
sente cada fragmento seu na bagunça de seu quarto
Sorri desengonçada em meio à multidão de amigos que cultiva
É bela e nada delicada, mas cultiva os melhores sentimentos
Parece uma boneca de pano passeando em um mundo surreal
sonhos se misturam as suas determinações, e seus planos...se concretizam
Virtudes tão suaves como sua voz chegarão no seu mundo, feito chuva fininha no fim do dia
Abraça o mundo...mas nunca se esqueça de perceber a sua essência, que é transcendente!
Palhacinha do céu!


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

AMOR

Amor
Sentada diante do nada
Mergulho-me nos devaneios
Causados por minhas impossibilidades
Caminho em meio as ruínas de existências
Insólitas, gélidas
Busco comtemplar a beleza breve
Dos momentos surpreendentes
Resgato cheiros a fim de recordar amores
Dispenso as flores
E me aprisiono em um único olhar
O espelho não me reveste
E diante do meu nada
Retiro o que poderá servir de material
Para o novo
Para o breve
Para o finito
Que emergirá de minhas próprias ruínas
Elaborado pelo meu labor
Por minhas lamentações
Pelo retrato de minhas elaborações
Enterro o amor não vivido
O falsete
O odioso
E recupero o amor incompreendido
O amor que me resta

O próprio amor.

domingo, 25 de setembro de 2011

Sublinhando

Reinvento a cada segundo as súplicas que me mantém distante da realidade. 
Sinto calafrios que me aprisionam na cama.
 Condiciono-me nas amarras deste calabouço.
 Quero soprar a flor de lótus e sentir seu cheiro embainhar todo o campo que persegue a minha visão. 
Quero encantar as aves com o meu olhar nublado. 
Viveria bailando entre peixes e tufões.
 Entre graças e desgraças. 
As pulsões oscilariam em um equilíbrio desconcertante, e a agressividade avassaladora.
 Meus músculos se contraem, e o colchão estremece diante das nuances maléficas do mal estar que me acomete.
 Atenciosamente me divirto com o objeto pequeno ‘a’ desejado feito feto.  

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sublime



Sinto meu corpo sendo arrastado pelos anos
E a correnteza dos acontecimentos, me fazem flutuar pelos caminhos
Rodeada de temores e incertezas
Vejo no novelo de lã, a esperança de que os dias frios se desencadeiam.
De que a garoa se estabilize e faça presente nos nossos contos!
Vislumbrar as desvairadas damas soteropolitanas
E me alimentar dos cheiros doces que exalam de seu corpo esguio!
Finalmente recuperar a essência de me sentir viva e de ainda sentir fascínio pelo novo!

Shirley Souza!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ônibus


Uma produção em meio ao caos. Sombras malditas, hálitos quentes.
Imundos pelo trabalho árduo.
Putrefação dos corpos ainda vivos, pelo cansaço do dia.
Os cheiros se misturam tornando insuportável a convivência.
A chuva lá fora nos castiga aqui dentro.
Uma centelha do inferno.
Os germes constroem muralhas, nos aprisionando, nos limitando.
Pobres mortais pobres!
Uma hora e vinte de agonia, e ainda estamos no meio do caminho e nem existe um pote de ouro no fim...
Somente pedras e cascalhos.
Invejo aquele que o comanda. Ele detém o poder, as regas do jogo. A nós... Resta-nos o ÔNIBUS. O caos, o martírio.
E pra que?
Somos mártires dos nossos sonhos... Ou seria da nossa necessidade?
E o limite de nós, nos diz que somos quem podemos ser... NADA, ou tão pouco que não comove ninguém.
Somos moribundos sociais. LI-MI-TA-DOS!
Fedidos e covardes. Odeio esse som, odeio o vermelho da sua derme. Odeio o balançar desengonçado. E odeio gente, muita gente.
Quero respirar o ar que é meu, somente meu. Ainda bem que sentei!





Shirley R.
22/01/2009

quinta-feira, 30 de junho de 2011

saudade



Hoje eu senti vontade de bailar entre as borboletas do serrado, e sentir o vento tocar meu sorriso.
De saborear um belo doce e viver o som de cada dedilhada nas notas de uma guitarra, com os olhos apertados em estado de êxtase.
Senti vontade de lavar todos os azulejos do meu banheiro
De sentir o sorriso da minha vó, no momento do abraço apertado.
De pirraçar diante das injustiças...
de correr de olhos fechados na minha rua as 23 horas..
De cantar em Inglês o que eu não faço idéia.
De sentir o peso da minha coberta bem no meio da tarde...ao som da vinheta do jornal hoje, e de assoprar a barrigona da minha mãe...e extrair dali...um som tão peculiar, que me levaria a gargalhadas eufóricas.
Vontade de admitir que chupar o dedo é melhor que Rivotril.  
E que o melhor analgésico, é deitar no braço peludo do meu pai.
Queria comer a ameixa que meu avô me presenteava, e que eu, generosamente apelidei de bolinha, pois banana a gente lembra o nome.
Queria vestir um vestido florido e não me sentir ridícula...
E colocar meus pés suados sobre o vidro do carro e ver a marquinha de cada dedo. 
Shirley Souza

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Iraci

Um passo de cada vez,
Eu sinto uma dor que é atenuada pelos teus (Flá) olhos
Eu vejo uma estrada de oásis no deserto
Na tentativa de lutar para seus ideais e de energicamente mudar o mundo (o seu mundo) e salvá-los das mazelas... Das suas próprias mazelas.
Sua vida foi como um sopro divino,
Se fez breve sobre nosso olhar egoísta, mas sublime no propósito de Deus.

Nos relatos dos amigos, no amor dos amantes, e no coração de suas filhas... Aprendi sobre ela, tão soberana, e sensível
Na valsa da existência, desajeitada esteve bailando
Até que os anjos de Deus lhe tiraram para dançar.

Sua firmeza como de uma leoa
Sua sabedoria desletrada
Sua compaixão desmedida
Farão de seus passos na terra... Uma estrada para ser seguida e aprendida por nós, relés mortais... Desassossegados pela banalidade superficial da falta de esperança. 

 
Shirley Souza 23/06/11

terça-feira, 14 de junho de 2011

Viajante (Aurélio)


SEU EU PUDESSE VER O HÁ DO OUTRO LADO, E SENTIR ENTÃO O DESCANÇO EM MEUS OLHOS...
SE EU NAO FOR CHORAR, PORQUE ESPERAR?...E SE NINGUEM VEM EU VOU PRA LÁ!
PASSA O TREM EM OUTRA ESTAÇÃO, VOU TER QUE ESPERAR SOZINHO.
TEM SEMPRE ALGUÉM PEDINDO ORAÇÃO...SINTO OS MEUS SONHOS VOAREM POR MINHAS MAOS!
SE EU PUDESSE TER O QUE TEM DO OUTRO LADO, E ASSIM VIVER JUNTANDO PEDAÇOS...
SEMPRE HÁ UM PORQUE PRA SE DIZER...PERGUNTAR AO DIA QUE VIRÁ!
PENSAR EM ALGUÉM FAZER A CANÇÃO, SENTIR A DOR DO ESPINHO.
SEGUIR O VENTO E ARDER AO SOL, PERDER NO TEMPO POIS É CEDO PRA PODER CHEGAR...



ME DÁ SAUDADE DO MEU LUGAR...UM DIA VOU TER QUE VOLTAR...

Leonardo César Ferreira - 02/12/2000

domingo, 8 de maio de 2011

Me confundo em tantas funções
Ser filha, mãe e neta
Conduzir a insensatez sobre ruínas
Flores fosforescentes no caminho da loucura
Mendigos e traquinas se isolam no seu próprio grupo
Tribos fiéis e ligações impenetráveis
Chuvas e sóis lamentam por tão curto momento de apresentação
Palhaços e deuses bailam na arena
Cafetinas choram sua insolência
Bandidos respiram a liberdade de assistir tv

sábado, 19 de março de 2011

Limbo





Uma tragédia remanesceu 
E me empurrou para o abismo
e afastei do mundo, mesmo sendo mastigada por ele
Teci uma colcha de retalho da vida, com a o rosto de todos os meus REAIS
Mortais e inválidos... desconfigurados
Me senti sufocada pelo meu nada
pelo descontrole que assolava feito uma fagulha de fogo saído, sem rumo da lenha
A lepra desconhecida deteriorava cada célula do meu aparelho psíquico
Descontínua-mente, amantes e amados canceres me encarceravam 
Me traziam de volta
à morte! A pulsão! 
Um ufa!
Me atirei pelo abismo e não foram asas que ganhei...mas senti a sensação de liberdade bater em meu rosto
Me afastei do mundo e me aproximei de mim
e caí... esmaga pelo meu próprio corpo
pelo meu medo...
A dor me castiga...
Mas levantei... e caminharei até a próxima ribanceira!
Satisfeita por existir!














O que será de nós?
O que virá depois?




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