domingo, 7 de julho de 2013

Naufrago!

Se sente atoa, lançada fora, empurrada...
encostada em via pública.
Em desuso.
O funeral de seus sonhos está sendo celebrado logo ali, na esquina das lembranças torpes.
O calor deu lugar para um corpo frio, sem sabor, nem cor.
O beijo do nariz, não veio.
Sua sombra é o espectro de uma palhaça...
Triste e sombria
Acalentada pelas palavras embalsamadas de desamor.
Rancores são as únicas possibilidades de existências entre os eleitos desse texto.
Torna a situação insustentável, para que as pessoas possam ir embora
Coloca leões dentro das jaulas, para que os amores possa sair, ir embora correndo dali.
De princesa, a trol, de trol, a tola, de tola, a palhaça. Sofreguidão! Amarguras!
Assim se faz brilhante, amante, desonrosa...
Sem mais nem menos. Repetindo os mesmos mecanismos! Narciso, Sícifo!




domingo, 30 de junho de 2013

Morte em vida!

Foram anjos ou demônios que bordaram a história que saudaram a sua chegada?
Morria aos poucos com a desnutrição de sua carne, o pior das carnificinas era o que a encorajava.
Era a sombra das nuvens que cobria a lua, a testemunha! E lhe tragava a vida.
A escuridão da alma cobria o rosto, e as cicatrizes eram forjadas pelos golpes de descompaixão. Mentiras eram pregadas para que sobre o seu corpo fosse fecundado filhos sem nome.
O sal que escorria com o seu suor remetia o alimento que lhe faltava, e lhe dava fé para continuar a lida infame no ato imundo, de venda de seu corpo esguio.
O pecado era profanado pelas suas entranhas em nome da fome. Seu nome era lançado junto aos vermes de suas vísceras. e o seu triunfo era o pão de cada dia.



domingo, 23 de junho de 2013

Calcanhar de Aquiles: o grande e fiel monstro

Nenhuma realidade alcançará o desassossego deste momento. A euforia confunde realidades
O passado e o presente deturpam a imagem que se projeta na minha frente. Eu abandono o futuro
Todas as incertezas seguram nas minhas mãos e me carregam feito pássaros à procura do verão. Eu me atiro no seu comando. Nesse desatino Continuo representando aquela histeria que me veste muito bem. Cuido destas vestes como se polisse armaduras. Fardas de guerra! Munidas de armas, batalho contra meu EGO. Myself! Endureço-me , e desnudo o meu calcanhar de Aquiles, ofertando-o como recompensa triunfal para as minhas presas. E me prendo nesses infortúnios. Não me preocupo em sair deles, apenas o faço.
Bailo entre tridentes apontados sobre minha garganta tripudiando em acusações severas. 
E brilhantemente...
Respondo com o calcanhar de Aquiles 
Eu avisei...
De todos o que eu mais amei? A mim! O amor, o Próprio! 



quinta-feira, 30 de maio de 2013

Um pouco mais de mim...



 Acho que me encontrei nesse clip! Minha mente foi retrata com a sublimação alheia! Amei tudo o que compõe essa obra de arte! 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Gaia

Valorosos homens de posse das suas armaduras de dor, saíam pelas terras paridas em busca de sonhos iluminados pelo sol do meio dia. Maltratando a pele, craquelando os rostos, tornando-os tão iguais, que suas identidades mais pareciam o solo que pisavam. Os pés não sentiam o chão, os calos impediam. Qualquer sensação de bem-estar provocada pelo contato da mãe que não nutria seus filhos era extirpada pelo anseio do trabalho precoce.   
Por onde o olhar se destina, cacto . Sol sem vento! Falta d’água. A fome é a pior das pestes, ela desnutre a alma. Fomenta rancor naqueles que de Gaia esperam o fruto. Acabam por servirem de alimento das suas entranhas. Caprichosa terra, sedenta por moribundos, inflamada pelo desejo de ter seus filhos em seu ventre. Toma o coração do sertão, e faz dele o flagelo miserável do homem desesperançado.


Filho nativo de terras secas, profanado está seu futuro ressequido e cinza. Pobre e sombrio, 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O céu no andar de baixo


É de extrema importância que assistam o curta sugerido pra entender a proposta do texto que retirei de lá!


http://portacurtas.org.br/filme/?name=o_ceu_no_andar_de_baixo



É mal de amor que você tem.
O amor nasce de sementes distraídas que brotam ao acaso
E então se a morte precoce não as alcançam crescem e ganham força.
Embaixo expandem-se fugindo do sol, no profundo do subterrâneo  e lá, onde está o que não se deve mostrar nossas fraquezas e medos disformes. Nossos Defeitos e manias. Nossas vergonhas. Lá embaixo está as horas difíceis e medrosas do amor. Aquelas que ninguém quer ter ou lembrar.
Os momentos de deleites do amor. São como os galhos que buscam a luz do sol. Acima de tudo, do perigo e da desventura. Para o alto crescem diariamente buscando o calor das boas horas do dia. Lá em cima onde se revela o melhor de nós, folhas verdes sem forma de sorrisos e afagos. Lá na copa da frondosa árvore é a boa ventura do amor.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Sem Título

Me percebo embriagada de sonetos 
Alucino com imagens de situações improváveis
Caio em meio ruínas de um tempo bom
que se perdera nas páginas amarelas de um calendário velho.

Gastei 20 segundos vidrada no sorriso desdentado de um senhor que não me via.

Pulei a janela da alma pra tocar seus lábios em silêncio
Me mantive eterna embaixo dos escombros solitários de seus sonhos.


Shirley Souza 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

NATURAL


Meus pés gelados procuram se aquecer em movimentos repetidos e sem função frente ao frio que gela a alma. É a constatação do quanto sou efêmera frente ao natural. Frente aquilo que nos opera, nos rege.

É mãe! Parturiente do que somos, é a natureza forte e firme, que nos apresenta a imensidão e a insignificância.  Atreve-se a limitar a alma, em condições que se apresentam na frente do espelho como rugas, como sardas. O peso do tempo, o limiar da vida. Furtivas fontes de esperança e desespero com o que está por vir. Perdemos o sorriso infantil e ganhamos a carência de um olhar esvaziado de fé.

Em nossa volta, rege a infâmia de não pertencermos, de não sabermos. Somos destituídos do conforto uterino, e lançados a sorte. Resta-nos? O aconchego do cobertor sobre nosso corpo meio vestido, meio despido, inconstante... Entorpecido com o sono que me atropela e insinua o fim do tempo, do hoje.



terça-feira, 3 de abril de 2012

Pertencer

Em resposta: Pertencer
Em actus
Em espetáculos
Em função do Outro
Em existência
Em atirar ao infinito de seus olhos
Em não reconhecer o seu ser
Profundezas alcançam a alma
E o amor sente profunda dor
Comunitário são os pensamentos profanos
Que emanam por entre poros poluídos de uma multidão desorientada
São desejos e saudades que prevalecem sobre os sorrisos dos descrentes
É o seu amor que não se reconhece
É a plasticidade natural que o tempo oferece aos nossos dias
É a fantasmática operação realizada pelo conteúdo recalcado
É o engano, o fadado ao fim
É o inalcançável
É o não pertencer!

Shirley R

sábado, 31 de março de 2012

A valsa


Antes de a primeira gota tocar o chão, já se exala pelo ar o cheiro da tempestade que se ajeita para atrapalhar os cabelos da mulher cansada que não corre e não teme a sua emancipação. Expande sobre o céu uma cor cinza e densa. O vento carrega consigo um ar gélido e implacável. Como navalhas sem corte enfrentam a pele desta insípida mulher que sente seu corpo castigado pelo curto tempo que lhe assolou, mas que impeliu sua existência em fracasso e dor. Ainda sim, esta não intimida com a tempestade que lhe afronta. Caminha furando as paredes do vento, e senta na beira da estrada vazia. Respira fundo e desliga de todo o ideal que lhe assola a cada instante e vagarosamente se inclina para o céu, e contempla a imensidão que a ameaça. A primeira gota toca a maçã de seu rosto. Pesada e fria cai feito um tapa raivoso. A vida parece ainda mais pavorosa. Os raios partem o céu a procura de um lugar para se fazer existir. O som monstruoso do trovão parece luta entre deuses Gregos. E lá está ela a contemplar a batalha, sentada no meio da arena dos gladiadores. Rapidamente a tempestade a domina e toma o seu corpo para si. E essa se transporta a um palco e se aprimora na dança de contemplação da natureza, essa mesma que a envelheceu, adoeceu, roubou-lhe a vitalidade e a beleza. E de repente a jovem de 80, caminhou nas suas lembranças e viu o passar do tempo como em uma ferrovia velha e quase que inativa, a não ser por suas lembranças turvas, cheirando a mofo.  Enquanto sua roupa encharcava e seus sapatos eram levados pela enxurrada, sentia que a liberdade fora uma farsa forjada por idealistas bêbados que morreram antes dos trinta. Mas  o desespero não pertencia aquele momento. Seu desejo era de não ter desejado, era de ter se mantido alheia a tudo que corroborou para que as exigências lhe fossem determinantes fervorosos de sua insignificante existência. Seu corpo doía por não ter mais a jovialidade de seus herdeiros, mas esse foi o momento em que de fato, viveu. Homenageando a morte e blasfemando a vida, em uma valsa sublime que contava com a natureza como par, que blefava com a hipocrisia dos que se concentravam em esquentar os pés em uma colcha velha de retalho. Assombrados pelos sons e movimentos da tempestade. 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Finalmente o fim


Contemplando o céu na tarde quente
percebi que o fim da tarde deveria ser semelhante ao fim dos nossos dias
Suave, e pleno
Felicitaríamos os nossos amores,
bem como os pássaros fazem ao correrem para seu lar, afim de admirar o por-do-sol.
Olharia para as profundezas dos olhos do passado e evidenciaria a dádiva de ter encontrado pessoas feito anjos,
Lugares feito o paraíso
Sonhos feito nuvens densas cheias do frescor gotejante da chuva.
Cheiros que me retiraram do real.
Cores que nunca foram nomeadas...
Sentimentos jamais interpretados
Amores desarranjados
Sonos que me transportava para o infinito
E no momento do último suspiro, queria deixar a saudade para os que ficam e o conforto de termos a atitude mais sublime que poderíamos... A certeza de que a vida foi vivida, e não adiada.
Somos frágeis as mazelas do mundo, mas podemos adotar a postura de significar positivamente cada queda, cada valor desfeito, cada perda, cada pedra!
Não devo passar meus últimos dias plantada feito uma flor de jardim na cama me lamentando do que não fiz, e sim passar o tempo que me sobra, vivendo!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Meus Olhos

Ainda que a magia não resista à corrupção dos corpos sedentos de carnificina.
E mesmo que os sons não se deixem perceber entre tanta covardia
Meus olhos cairão no horizonte e enxergarão a poeira escorregando sobre a luz dos raios de sol
E perceberei o vento tocando as pétalas de uma flor solitária em meio ao campo de grama cinza
Sinto a resistência da existência e acredito no balé da esperança
Não é o sorriso de uma criança que me apresenta isso, e sim, a memória da minha própria infância, que não se perdeu no agitado passar dos anos
Ainda garimpo minha essência no lago de destruição
Na terra ressecada pela estiagem de sensações incorruptíveis
Consigo ouvir de longe o que pode me resgatar
O som do infinito que me liberta do trivial e me faz existir
Essencialmente trago a mim o que de fato permite que eu acorde e saiba o que está invertido no meu espelho
Deixo lá fora o asqueroso
E aprecio o que não é tão feio assim, olhando no fundo dos olhos, dos meus olhos!


30 de dezembro de 2011

sábado, 26 de novembro de 2011

Thata

A cor dos seus olhos contemplam a magnitude do oceano
Seus sorrisos são intensos como as águas derramadas no seu choro
sente cada fragmento seu na bagunça de seu quarto
Sorri desengonçada em meio à multidão de amigos que cultiva
É bela e nada delicada, mas cultiva os melhores sentimentos
Parece uma boneca de pano passeando em um mundo surreal
sonhos se misturam as suas determinações, e seus planos...se concretizam
Virtudes tão suaves como sua voz chegarão no seu mundo, feito chuva fininha no fim do dia
Abraça o mundo...mas nunca se esqueça de perceber a sua essência, que é transcendente!
Palhacinha do céu!


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

AMOR

Amor
Sentada diante do nada
Mergulho-me nos devaneios
Causados por minhas impossibilidades
Caminho em meio as ruínas de existências
Insólitas, gélidas
Busco comtemplar a beleza breve
Dos momentos surpreendentes
Resgato cheiros a fim de recordar amores
Dispenso as flores
E me aprisiono em um único olhar
O espelho não me reveste
E diante do meu nada
Retiro o que poderá servir de material
Para o novo
Para o breve
Para o finito
Que emergirá de minhas próprias ruínas
Elaborado pelo meu labor
Por minhas lamentações
Pelo retrato de minhas elaborações
Enterro o amor não vivido
O falsete
O odioso
E recupero o amor incompreendido
O amor que me resta

O próprio amor.

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